LUDOVIC


Como está a formação da banda hoje? Meu querido amigo Julio entro na batera e o que mais mudou?

A entrada do Júlio aconteceu quando nós estávamos passando por uma crise seriíssima, que por muito pouco não culminou no fim da banda, e foi simplesmente a melhor coisa que poderia ter nos acontecido naquele momento. Desde que ele começou a tocar com a gente, muita coisa mudou internamente, especialmente no que diz respeito ao relacionamento entre nós quatro e ao comprometimento de cada um com a banda. Mesmo porque, como você mesmo pode testemunhar, ele é uma das pessoas mais especiais que você pode conhecer nessa vida: dificilmente você vê o Júlio mal-humorado, insatisfeito ou reclamando de alguma coisa. Sem contar o fato de ele ser um baterista ímpar, muito criativo, sensível e dedicado, o que acrescentou muito às músicas que a gente está gravando para o próximo disco. Fora isso, tudo continua basicamente do jeito que sempre foi, com a diferença de que agora a banda se tornou um pouco mais conhecida e com um pouco mais de reconhecimento por parte da mídia especializada.

Novo disco esta por vir? Podemos saber mais sobre os novos projeto?

O que dá para dizer por enquanto é que nós estamos imensamente orgulhosos com o resultado, que foi o maior desafio da minha vida enquanto compositor, e que eu não vejo a hora de as pessoas ouvirem as nossas músicas novas. Não sei até que ponto os fãs mais antigos vão gostar desse material novo, que não soa exatamente como as nossas músicas mais antigas, mas assim como aconteceu com o primeiro disco na época em que foi gravado, esse disco é, acima de tudo, um retrato fiel de tudo que aconteceu conosco nos últimos meses. De todas as coisas boas e ruins. Só torço para que as pessoas não estejam esperando um outro “Servil”, porque certamente não é o que elas ouvirão dessa vez.

Como foi a repercussão do Cd “servil”?

Muito melhor do que eu sequer poderia imaginar na época em que o disco foi lançado. Quando nós finalizamos o “Servil”, eu fiquei bem feliz com o resultado, mas não achava que muita gente fosse perder tempo com aquilo – eu achava que, por ser muito diferente de tudo que estava acontecendo na época, ninguém ligaria muito para o disco, e foi exatamente o oposto que aconteceu. Houve uma identificação muito forte por parte de pessoas ligadas a diferentes segmentos e vertentes de música, o que é um negócio bem difícil de acontecer. Muita gente apontou o “Servil” como o melhor disco brasileiro lançado em 2004, e na época nós recebemos elogios de pessoas que eu admirei durante a minha vida inteira, músicos de quem eu sempre fui fã e que eu jamais imaginei que um dia eu fosse sequer conhecer pessoalmente.

Sempre rotulamos as bandas e tudo nessa vida… Me ajude a rotular ludovic?

Putz, não sei, não sei mesmo… desculpa, mas acho que não vou poder te ajudar nessa (risos). Eu costumo dizer que uma pessoa que ouve determinada música está em condições muito melhores de analisá-la do que as pessoas que a tocam. É isso, sei lá, para mim é realmente difícil tentar encaixar a nossa banda em rótulos e categorias pré-determinadas – e eu acho que as pessoas em geral têm dificuldade em fazer isso, porque nós realmente não temos uma sonoridade comum (caso a gente soasse como as outras bandas, tenho certeza de que você não estaria me fazendo essa pergunta). Tudo que eu sei é que nós nos esforçamos muito para que a nossa música seja o mais honesta, intensa e original possível. Se a gente consegue ou não atingir esse objetivo, bom, isso já é outra história.

Quantas vezes já perguntaram se já confundiram Ludovic com Ludov? Rs*

Mais vezes do que você pode imaginar (risos). 2006 promete?

Muito trabalho, muito empenho, muita dedicação. Tudo que acontecer conosco virá em decorrência disso – a gente já está na estrada há tempo o bastante para saber que nada acontece por acaso.

A musica para o Ludovic é uma ferramenta para???

Realização pessoal, em todos os sentidos possíveis da expressão. No dia em que deixar de ser isso, acaba.

O que vocês andam lendo e escutado diariamente?

Não posso falar pelos outros três, mas eu a últimas coisa que eu li foi o “Amsterdã”, do Ian McEwan, e atualmente eu tenho ouvido basicamente o “Evol” do Sonic Youth, uma coletânea da Maysa, o EP do Vanguart e o “Low” do Bowie.

O que estão achando do rock undergrouns independete hoje em dia?

Cada vez melhor, com mais gente séria envolvida e dando origem a mais e mais bandas promissoras (como o La Carne, o Vincebuz, o Charme Chulo, o Bonnie Situation e o próprio Vanguart, entre dezenas de outras).

LUDOVIC?

Minha maior fonte de amigos, inimigos, orgulho e conquistas pessoais até o presente momento. A causa a que eu mais me dediquei em toda a minha vida. Um dia vai acabar, claro, e pode ser daqui a uma década ou daqui a uma semana, mas pelo menos eu tenho a convicção de que será intenso e verdadeiro até o fim.

PALCO?

Eu devo os palcos em que pisei os momentos mais felizes da minha vida.

SHOW?

Um dia eu ainda aprendo a me comportar melhor.

AMOR?

A única coisa que realmente importa nessa vida. Com o passar do tempo, você aprende que o amor, assim como respeito, consideração e todos os demais bons sentimentos, é algo que as pessoas têm de fazer por merecer – mesmo que nem sempre seja isso o que aconteça na prática.

EMO?

O rótulo mais infeliz já aplicado a uma determinada corrente artística em toda a história da arte.

ÓDIO?

Auto-destruição.

MUSICA?

Algo com que eu tenho uma dívida imensa, mas definitivamente não é o que eu pretendo fazer para o resto da minha vida.

POLÍTICA?

A política envolve tudo, simplesmente tudo. Não é um negócio só para aqueles velhinhos de terno que você vê na televisão. No dia em que as pessoas perceberem isso, o mundo vai ser um lugar muito melor para se viver.

AE! Valeu de coração gostamos muito de Ludovic e esperamos pelo novo cd! Fique a Vontade ae Jair…

Muito obrigado pelo espaço, Felipe e Ideal. Continuem assim, e contem sempre conosco.