• Eu serei a Hiena

    Entrevistas 12/10/2007

    Com integrantes de bandas como Ratos de Porão, Dance of Days, Discarga e Tri-lambda, o Eu Serei a Hiena é mais que um projeto de banda paralela, ou uma banda

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    Acredito que muitas pessoas que ouvem falar do Eu Serei a Hiena, logo imaginam uma banda mais próxima do som das outras bandas de vocês como: Ratos de Porão,Dance of Days, Discarga, ou até mesmo o Tri-lambda. Porque montar uma banda com uma musicalidade tão diferente do som que vocês fazem nas outras bandas de vocês?

    É, isso realmente deve acontecer pelo nosso envolvimento mais próximo com o punk/hardcore em geral; na real, montamos o ESAH pra suprir esse lado mais experimental que todos nós temos e que não dá pra vazar em nossas outras bandas porque, obviamente, não tem muito à ver com elas,mas mesmo assim dá pra sentir um pouco ainda no ESAH dessa veia hardcore, umas levadas mais Dag Nasty em algumas… Enfim… Quem é do punk não se desprende dessa sonoridade tão fácil né! (rsrs)

    O Eu serei a hiena lembra bastante fugazi, the ex, sonic youth. Já chegou cd de vocês na mão de algum selo ou banda do gênero?

    Olha… Que a gente saiba, não! Mas imagino que chegue na mão desses caras toneladas de cds de bandas influenciadas por eles. Não chego a crer que eles dariam mais ou menos atenção pro nosso som do que pra milhares que chegam até eles. Eles são criadores de um estilo musical, devem saber que muita gente se influência neles, sei lá, pode ser que gostem de ouvir como influenciam outras bandas.Pode ser que nem dêem importância.Mas vai saber!…

    O disco foi gravado sem muitas pretensões de lançar e de ser sucesso de vendas; o que vocês acham do resultado e proporção que tomou o Eu Serei A Hiena?

    Bem, a gente sabe que tem bastante gente que gostou do que a gente fez, isso é muito gratificante, sem dúvida! Não vamos dizer que é um "boom" na cena paulistana ou brasileira, mas da forma que compomos, gravamos e lançamos, realmente despretensiosamente com vocês disseram… Achamos o resultado mais que satisfatório! hehehe! Afinal esse cd era pra ser uma demo, gravada em CD-R e distribuído  nos shows, a princípio; a Travolta comprou a idéia e o cd saiu bem bonito e distribuído legal. Foi muito bom pra nós.

    Por serem pessoas envolvidas com a cena straight edge de São Paulo, os shows são freqüentados apenas por pessoas envolvidas com o sxe?

    Não, de jeito nenhum! Nos nossos shows a gente vê pessoas do rolé sxe, mas também do rolé punk, do rolé alternativo, do rolé jazzistico, do rolé popular brasileiro… Tudo! O lance de fazermos vários "shows-balada", como se diz (tarde da noite em casas noturnas) faz com que nosso público seja bem variado e faz também que sempre alguém no público que não tem nada a ver com o nosso rolé, venha falar conosco sobre o som, que nunca tinha ouvido e gostou e tal… Essa banda nasceu, além de cobrir nossas necessidades sonoras, pra tirar o hardcore um pouco desse gueto "sxe/punk/hardcore" em que estamos enquadrados.

    Uma banda que tem músicas instrumentais é porque não tem vocalista bom, ou porque não tem letras legais?

    Nem um, nem outro.É pela sonoridade.É um lance que a gente começou a fazer, realmente porque, no começo, não encaixava vocal.Mas que acabamos descobrindo sozinhos que instrumental ficava bom!Descobrimos o lance de encaixar "camadas" de sons e temos aprimorado isso cada vez mais nas últimas musicas que fizemos. Apesar disso, o trabalho do vocal como um "instrumento adicional" nunca é descartado: no primeiro disco colocamos voz em 3 dos sons. No próximo vai rolar mais alguns vocais convidados, com certeza.

    Geralmente as bandas com esse estilo de som carregam em muitas ocasiões letras com postura política, o Eu Serei a Hiena se tivesse um vocalista teria essa postura?

    Então… Pressupõe-se que teria.Mas eu não acho que encaixaria com a proposta sonora da banda.Eu sei que pra passar uma mensagem você não precisa tocar hardcore: Tracy Chapman é pop e só passa mensagens políticas em suas músicas; Fermin Muguruza, ex-Kortatu e Negu Gorriak, faz dub total político. Então é independente o estilo de música pra passar a mensagem.Os 3 convidados do disco passado (Rodrigo Dead Fish, Sesper Garage Fuzz e Boom Boom Kid) escreveram inconscientemente, sem combinar entre si antes, letras com um conteúdo análitico-político. Já eu (wash) não escreveria nada propositadamente político. Meu lance de escrever letras é mais sonoro mesmo, mais fonético.

    De onde surgiu a idéia da participação de pessoas como o Nekro (bbkid), Farofa (Garage Fuzz), e do Rodrigo (Dead Fish) nos vocais?

    Ah, esses três são amigos de velha data nossos, né. No rolé do hardcore já há uns 10 anos.Daí gravamos os sons pra lançar a demo e o Ailton da Travolta propôs lançar o cd; pra não lançar uma coisa muito tosca, de qualquer jeito, resolvemos colocar vocais em algumas faixas que davam espaço pra isso.Conversamos com cada um deles e mostramos os sons, eles ouviram e tiveram total liberdade de colocar o que quiser em cima, voz e letra.Ensaiamos algumas vezes e pronto, foi só gravar. Daí pra dar mais um "tcham" ainda no cd, covidamos outros dois amigos (M. Takara e Thiago Chacal) pra remixar 2 sons nos estilos deles. O resultado ficou ótimo.

    Recentemente vocês participaram do programa da Multishow, 12 horas de estúdio, certo. O que vocês acharam do resultado final?

    Poxa, isso foi muito massa pra gente! é um esquema bem legal esse q a Trama faz, principalmente porque fazem isso com bandas realmente independentes. Colocam caras que entendem, que realmente estão infiltrados na cena underground das metrópoles brasileiras, pra escolher as bandas à dedo. E ficamos bem orgulhosos por sermos chamados, heheh!… O resultado foi massa, o estúdio é impressionante, dá muitas possibilidades, e o técnico do estúdio dá uma assistência master: é quase impossível não sair coisa boa, heheh! Ficamos beeem satisfeitos!

    Quem é o mais perfecionista da banda?

    Putz… O Fausto tem um ouvido filho da puta: ouve qualquer deslize de qualquer instrumento, heheheheh!… Mas o Juninho fica puto com qualquer erro, principalmente comigo (wash) e com o nino! Eu faço os sons e às vezes esqueço o que eu fiz; se não gravar o ensaio, eu perco tudo! E às vezes tenho a mania de tocar meio tom abaixo, não sei como isso acontece, heheheheeh! Daí eles já se estressam, hehehehe!

    Para quem ainda não viu um show de vocês, como funcionam as músicas ao vivo, e qual a reação das pessoas, diante das musicas instrumentais?

    No começo a gente achava meio estranho tocar sem um vocalista na frente, ou sem nenhum de nós cantando. Na real a gente gostava do som, mas achava q o pessoal não iria entender, principalmente o pessoal do hardcore. Mas não! Todo mundo curtiu e voltou de novo, elogiou, comprou o cd… E ganhamos mais confiança pra continuar com essa proposta.

    Quando e de que formato sairá um próximo Cd de vocês?

    O cd será normal, com mais musicas que o anterior com certeza, com um remix, no máximo dois. A gente está pensando em botar uma faixa multimídia também, vamos ver as possibilidades que teremos. Agora QUANDO, é um problema! É totalmente incerto. Temos problemas com tempo, todos são muito ocupados com suas outras bandas e com seus respectivos trabalhos. Planejamos começar a gravar ainda no fim desse ano, daí o cd deve sair no primeiro trimestre de 2008 né. Vamos torcer pra rolar!

    Se fosse para escolher entre hardcore rápido a lá minor threat ou o rock do fugazi, qual seria a escolha?

    Depende de cada um da banda. Não sei mesmo. Acho que o Júnior e o Fausto escolheriam Minor Threat, talvez. Acho q o nino preferiria a lá Fugazi, por causa do trampo da cozinha e tal… Eu piro em Minor Threat, mas minha praia sempre foi mesmo o esquema fugaziano de compor, desde minhas primeiras bandas, no começo dos 90.

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