De Leve


(Entrevista realizada para o nosso Zine Dizputa, mas como ele está parado por falta de verba decidimos postar aqui em nosso site)

Antes de mais nada, acredito que os leitores do Dizputa não são lá o público habitual do hip hop, como você definiria seu som pra eles?
Posso dizer que faço um hip hop diferente do que as pessoas estão acostumadas a chamar de hip hop. Por isso, muitos se surpreendem comigo. Pro bem e pro mal.

Aos poucos você tá soltando as faixas que formarão seu próximo CD, “De Love”. Já tem uma idéia de quando sairá tudo?
Eu tava pensando em já ter terminado, mas como meu filho vai nascer daqui a um mês acabei demorando mais do que esperava. Tô todo enrolado aqui, mas acho que até o fim do ano já acabei ele. Não deve ser muito diferente do que já está, deve ter mais ou menos mais umas duas ou três músicas.

Depois dele teremos o quê? “De Live”, ops digo, um ao vivo?
Depois? Não sei, tenho que terminar esse primeiro.

No Leme você canta diferente de seus outros projetos onde rima como um rapper, você já tinha se imaginado um dia cantando?
Sim, já me imaginei sim, apesar de não ter imaginado nada muito bom, e já tinha inclusive até ter me arriscado no “Manifesto ½ 171”. Eu acho que no “Manifesto” que dei o pontapé para soltar o gogó, só que na Leme de forma diferente.

Os outros caras do Leme têm um histórico mais “rock”, certo?! O Flu foi do clássico De Falla e o Luciano do, amado por uns (meu irmão, sério!) e odiado por outros (críticos de música em geral) Engenheiros do Hawaii. Você já conhecia ou acompanhava os trampos anteriores deles?
Não. Conheci o Flu pelo Tejo Damasceno, do Instituto, e gravei no mesmo dia pro disco dele a música “No Flu do Mundo”. Anos depois nos conhecemos melhor, quando ele veio morar no Rio. O Luciano eu conheci no dia de gravação da nossa primeira música. Não conhecia os trabalhos anteriores de nenhum deles, nem os do Flu já que eu era muito novo e não peguei o que ele fazia na época. Somos de três gerações diferentes: Flu tem 45, Luciano 35 e eu 26.

E como você define o som do Leme?
Música prapular brasileira.

A diferença entre suas músicas e as do Leme é bem grande. E agora como separar as idéias para fazê-las?
Se eu soubesse não iria ter a mínima graça.

E o Caramujo Sonolento, quando é que a leeeeeenda voltará?
Eu tô gravando uma música inédita especial para o lançamento do CD do selo do meu parceiro Bruno Marcus que é do Caramujo!! Começamos agora, estamos fazendo ainda.

Essa música “A Lenda” é, praticamente, um clássico, e a internet ajudou a propagá-la… eu mesmo mandei pra gente no país inteiro. Antes, somente as majors viam a internet como vilã, mas conversando com donos de selos independentes, o bicho tá pegando pra todo mundo, não?
É difícil equalizar independência e dinheiro. O problema é que faltam contratantes, se não faltam, eles não pagam bem. Converso com amigos e vejo que o mesmo acontece, então eu vejo que existe uma quantidade de artistas que o mercado de música não consegue lugar para eles. Ou não existe organização e/ou interesse suficiente de contratantes em melhorar, já que estando como está o lucro é garantido.

Você surgiu junto com o Quinto Andar, um grupo com um diferencial e que influenciou muita gente – inclusive pelas trocas de arquivo via internet. Qual seria a probabilidade de todos ex-membros entrarem juntos num elevador e sair um CD inédito?
Não tenho a mínima idéia.

O que você acha que há de melhor e pior na música brasileira atual?
Nem sei te dizer, sério.

Você acha que esse rap de butique, de bling, que toca alto em carro de playboy, causou um estrago no estilo, tal qual o emo no hardcore? Digo, no sentido de desvirtuar tudo, valorizar mais visual que música, para leigos fica tudo parecendo farinha do mesmo saco.
É complicado. Tem uma molecada idiota que curte essa parada. O pior é quando você vê gente disposta, no Brasil, a abraçar aquela idéia – errada – e tentar fazer dela um discurso que pode ser certo. Para quem não sabe, hip hop não é andar de roupa larga, nova, da moda, e/ou etc. Hip hop pode ser o que você quiser e isso também, se você quiser, mas antes disso – nos anos 80 –  a roupa larga não era regra e os cordões eram mais debochados – como roubar símbolos de Mercedes nos carros para andar com eles não pescoço e não o que rola hoje.

Papo rápido agora, tipo ping pong da Marília Gabriela, você fala o que vier à mente, ok?
Com quem você não dividiria um táxi?
Com meu pai, ele é taxista.
Pra quem você não emprestaria sua bicicleta?
Para Negão que guarda carro ali no Paulinho Baleiro. Ele sempre pedia a minha, falava que ia ali rapidinho e demorava pra caralho.
Qual seu remédio predileto?
Nenhum, não tomo nem para dor de cabeça.
De quem você não compraria um carro usado?
Do meu pai.
Que esporte você queria ver nas próximas Olimpíadas e não estará lá?
O Pentatlo.
O quê Cara de Cavalo, Marcelo D2, 50 Cent e o Bozo têm em comum?
A rima.
O quê a MTV, a Globo, a Record e o hip hop têm em comum?
Não sei, o quê?
A salvação do mercado fonográfico é… algum patrocinador bancar meu disco novo para distribuição gratuita nacional, sem custo nem para envio do CD em casa. Ou seja, não tem o CD quem não conhece ou não quer.
Do Leme ao Pontal:
Só se for de carro.
Se eu fosse o Tim Maia por um dia eu… gravaria as vozes das músicas da Leme tudo de novo (risos).



Ricardo Tibiu (www.chiveta.wordpress.com)

Contatos:
de-leve@bol.com.br
(21) 8109-9652

Links relacionados:
www.myspace.com/deleve
www.dicamelim.blogspot.com
www.tramavirtual.com.br/de_leve
www.tramavirtual.com.br/de_leve2
www.youtube.com/dileve
www.tramavirtual.com.br/caramujo_sonolento
www.myspace.com/bandaleme
www.tramavirtual.com.br/banda_leme
www.myspace.com/flufli
www.myspace.com/ossoproject

Comentários

  1. Horse Face em:30/11/-0001

    ele tem a métrica, curti!