A fotografia no Underground

A fotografia no Underground


Sem a fotografia, talvez a história da humanidade, pelo menos a mais “recente”, teria outro foco… e com a música não é diferente! Xilip C trocou uma idéia com seis nomes distintos que, cada um do seu jeito, estão registrando o cenário musical brasileiro, o que inclui o punk rock e o hardcore. É legal ver as diferentes opiniões de pessoas que geralmente não são o foco onde seus trabalhos são expostos. Do grego, “fotografia” significa algo como “desenhar com luz”, então, aqui, vamos focar a luz nestes “desenhistas”! (Ricardo Tibiu)

Entrevista: Xilip C
Revisão: Ricardo Tibiu (www.chiveta.wordpress.com)

Jozzu (Na foto: DJ Primo)

Como aconteceu o seu envolvimento com a fotografia?

Eu sempre me interessei por desenho, quando fiz um curso de design onde o interesse pela imagem só foi aumentando. Numa viagem que fiz para o Sul, me encantei pelo lugar. Comprei uma câmera compacta e fotografei tudo, gostei do resultado e fui fazer um curso de fotografia.

Hoje dá para viver de cliques no Brasil?

Acredito que sim… eu vivo de fotos.

Analógica ou digital? E explique o por quê da sua escolha.

Analógica, nada supera o negativo e toda celebração que é fotografar em cromo ou negativo; todo o processo desde a captura até a impressão. E digital, pelo fluxo de trabalho, talvez agilidade. Hoje com o digital você experimenta mais… erra mais…

Dizem que uma das vantagens da fotografia digital é o fato de ela permitir infinitos cliques até que rolem as melhores fotos. Isso é verdade? Você utiliza essa técnica?

Se você tiver tempo depois pra ficar escolhendo ótimo. Eu procuro ser direto, não tenho paciência pra ficar em frente ao computador editando fotos. Então faço o que acho necessário para que o trabalho flua na hora da edição.

A fotografia colaborou muito para o registro de toda história da música. Você sente essa importância na hora em que está trabalhando? Busca flagrar momentos históricos?

Minha fotografia é algo pessoal, procuro registrar momentos marcantes, claro, agora se irão se tornar históricos ou não… Pra mim ja é história quando alguém comenta: “Nossa, eu vi esse show, foi foda!”, quando ouço algo assim sei que meu objetivo foi alcançado.

Qual fotógrafo lhe serve de inspiração?

A inspiração realmente não vem de nenhum fotógrafo, mas do dia-a-dia… Posso citar alguns que pra mim têm um trabalho incrível, como Shin Shikuma, Rui Mendes, B+, Rankin, Perou etc.

Você já tirou alguma foto engraçada que teve que deletar ou não revelar/divulgar?

Ah, sempre tem coisas impublicáveis, mas tento guardar tudo.

Você tem projetos de expo, site novo, livros?

Acabo de expor na Coletivo Galeria, no Projeto Bits Sonoros.

Contatos:
(11) 9703-7551
atendimento@jozzu.com.br

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Cesar Ovalle

Como aconteceu o seu envolvimento com a fotografia?

O primeiro contato com uma analógica SLR foi quando eu tinha 13 anos. E o primeiro contato profissional foi quando eu tinha uns 23, eu acho, hoje tenho 28. Antes disso, tive contato na faculdade, de 98 a 2001, estudava na turma de dois fotógrafos já, então era um convívio quase que diário vendo e falando de fotografia.

Hoje dá para viver de cliques no Brasil?

Eu vivo exclusivamente de fotografia desde 2004.

Analógica ou digital? E explique o por quê da sua escolha.

Eu uso digital, mas sou fã assíduo de analógica. Nada se compara. Uso digital porque hoje em dia a agilidade é que faz o corre, você tem que tirar foto agora e já mostrar o resultado no máximo algumas horas depois para o cliente, então realmente não tem outra forma. Mas o analógico é onde você acaba tendo o maior prazer mesmo.

Dizem que uma das vantagens da fotografia digital é o fato de ela permitir infinitos cliques até que rolem as melhores fotos. Isso é verdade? Você utiliza essa técnica?

É verdade, vejo muita gente sentando o dedo no botão e metralhando flash pra todo lado, pra depois ir lá e perder horas vendo qual das 15 fotos iguais é a melhor. Eu, particularmente, acho isso uma merda e de uma necessidade que não existe. Prefiro parar, pensar, olhar e fazer o clique certo, assim gasto menos equipamento e muito menos tempo tendo que escolher foto.

A fotografia colaborou muito para o registro de toda história da música. Você sente essa importância na hora em que está trabalhando? Busca flagrar momentos históricos?

Com certeza, mesmo porque eu trabalho fixo em uma banda… e acho que o maior motivo de eu estar ali é para registrar a história deles, então a atenção é digamos que 80% voltada à captação de momentos únicos, coisas que posteriormente eles vão olhar e vão se lembrar daquele dia, daquele show ou daquela piada que estavam rindo naquele momento. Acho que a fotografia é muito mais que uma bela imagem estampada num papel ou numa tela de computador, a fotografia de verdade tem que passar sentimentos, que situar bem qual era a intensidade daquele momento, não só para a pessoa fotografada mas também para a pessoa que não estava naquele lugar e está vendo um registro.. ela tem que se sentir como se estivesse lá, vendo aquilo a olho nu. A fotografia tem que te levar de volta para aquele momento, para aquela situação vivida.

Qual fotógrafo lhe serve de inspiração?

Cara, é o que eu sempre digo, eu gosto de alguns mas não me inspiro em nenhum, porque acho que isso de uma certa forma acaba te tirando um pouco a possibilidade de fazer algo original, pois você com muita influência tende a cair muito para a cópia daquela pessoa, e acho que isso não é bom. Então eu gosto de muitos fotógrafos, mas não costumo me entupir deles para não me influenciar no modo como fotografo as coisas. Tento não me influenciar com nada para poder achar realmente o meu real ponto de vista.

Você já tirou alguma foto engraçada que teve que deletar ou não revelar/divulgar?

Com certeza eu tenho, mas quem sabe um dia elas não estampam a página de algum livro? Tão guardadas pra isso (risos).

Você tem projetos de expo, site novo, livros?

Acho que isso é o que eu mais tenho, mas é isso o que eu menos consigo fazer. É muita idéia, muito material e pouco tempo pra colocar em prática. Mesmo porque sempre preciso da ajuda de mais pessoas e nunca consigo achar as pessoas para me ajudarem. Mas, quem sabe um dia as coisas vão saindo aos poucos, né? Assim espero. Interessados em me ajudar no quesito local, design, viabilidade, parceria e assessoria de imprensa, favor ler meus contatos abaixo e falar comigo (risos). Obrigado.

Contatos:
falecom@cesarovalle.com
www.cesarovalle.com
www.flickr.com/cesarovalle

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Mauricio Santana

Como aconteceu o seu envolvimento com fotografia?

O meu interesse por fotografia começou quando eu tinha uns 12 anos, meu pai tinha uma câmera analógica Olympus Trip 35, que levava para todas as viagens, mas eu só podia usar com ele vendo, até aí tudo bem, eu só apertava o botão, mas tudo muito dosado, já que filme era caro e revelação também. Eu gosto muito de cães, e certo dia pedi a câmera para clicar eles, acho que eu já devia ter uns 14 ou 15 anos, meu pai não deixou eu usar pois iria gastar o filme com cães, aí eu fiquei injuriado (risos). Então, como comecei a trabalhar muito cedo (aos 14 anos), passei a juntar uma grana, depois dos 16, e com 18 se não me engano comprei uma Sony Cybershot W7. Comecei a clicar meus cães e todo tipo de paisagem ou objeto que me chamasse a atenção. A história “resumida” (risos) começou assim…

Hoje dá para viver de cliques no Brasil?

Sem dúvidas, tudo sempre depende de você, fotografia é um ramo muito vasto, com várias ramificações, acho que seria um absurdo eu falar que não dá pra viver de cliques.

Analógica ou digital? E explique o por quê da sua escolha..

Na minha humilde opinião a analógica dificilmente vai sumir, clicar algo e ter aquela curiosidade de saber como saiu, tratar com muita técnica e cautela os cliques já que no filme está ali tudo muito dosado. Acho que analógica é algo fenomenal, mas para o meu trabalho, para os dias atuais, a agilidade da digital é indispensável, ou seja, escolho digital, por facilidade, agilidade e possibilidades.

Dizem que uma das vantagens da fotografia digital é o fato de ela permitir infinitos cliques até que rolem as melhores fotos. Isso é verdade? Você utiliza essa técnica?

Câmera digital tem vida útil de cliques, se eu não tento dar o meu melhor em CADA clique, porque eu me intitularia fotógrafo, não é mesmo? Acho que se a pessoa for um “apertador de botão” aí sim acho que ela usa essa “técnica”, caso contrário o fotógrafo tem que clicar achando que a foto vai sair aquela foto FODA, pois muitas vezes o momento não vai se repetir, clicar 100 vezes e escolher as melhores acho que seria desperdício de obturador (risos).

A fotografia colaborou muito para o registro de toda história da música. Você sente essa importância na hora em que está trabalhando? Busca flagrar momentos históricos?

Vou ser bem sincero, na HORA que estou trabalhando não vejo esta importância não, acabo mais me concentrando nos cliques e o que está ao meu redor que na importância do clique para a história. Mas quando vejo zines, revistas, materiais impressos e até mesmo na internet com as minhas fotos, dá pra ver o peso que os registros têm. Fotos são isso, registros de momentos, tudo está sendo escrito, só que na forma de luz, imagens reais, sem dúvidas isso tem um peso muito grande, e eu vejo o peso quando começo a ver meus arquivos antigos, ou quando veículos me pedem fotos antigas, acho fascinante. E em determinados momentos tento flagrar coisas sim, não diria momentos históricos, mas algo a mais do que as fotos de show sempre saem.

Qual fotógrafo lhe serve de inspiração?

Para os cliques de shows que faço acho que não tenho inspiração, ou então estou viajando, mas tem fotógrafos que admiro, não que eu me espelhe neles. Mas gosto muito dos cliques deles, posso citar o grande César Ovalle e um fotógrafo do Chile que assina as fotos como “Gary Go”. Agora fotógrafos que me inspiram você me pegou, acho que não tenho um que vejo e falo que me inspiro nele, eu vou clicando sempre tentando fazer o melhor, clicar da minha forma e do meu jeito, posso estar enganado, mas acho que não me inspiro em ninguém por enquanto, tenho pouco tempo de cliques profissionais – pouco menos de dois ano –, acho que sou novinho ainda pra isso (risos).

Você já tirou alguma foto engraçada que teve que deletar ou não revelar/divulgar?

Sinceramente? Quase sempre, mas prefiro não falar sobre o assunto! (risos).

Você tem projetos de expo, site novo, livros?

Este ano já realizei três mini-expos, meu site está saindo até o final do ano, e, se tudo correr como planejado, um livro vai sair ano que vem.

Contatos:
contato@mauriciosantana.com.br
www.mauriciosantana.com.br

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Daigo

Como aconteceu o seu envolvimento comi a fotografia?

Eu trabalhava numa empresa japonesa de fotografia consertando câmeras. Comprei uma reflex e comecei a fazer foto dos shows punks que eu sempre fui, o que eu continuo fazendo até hoje. Isso faz uns quatro anos.

Hoje dá para viver de cliques no Brasil?

Eu consigo viver só de fotografia hoje, mas acho que não é tão fácil quanto parece. Ainda mais por que hoje é tudo freela, freela, freela. Tem que se garantir bem e ter muitos contatos pra não se ferrar no final do mês.

Analógica ou digital? E explique o por quê da sua escolha.

Pra trabalhar, digital, pela relação custo/benefício e a rapidez. Mas por qualidade, textura da imagem e cor, película. Depende do que você quer fazer, não tenho romantismo nenhum em relação a isso.

Dizem que uma das vantagens da fotografia digital é o fato de ela permitir infinitos cliques até que rolem as melhores fotos. Isso é verdade? Você utiliza essa técnica?

Acho que tá meio mal formulada a pergunta (risos). Dá pra clicar 100 vezes com uma analógica também e escolher a melhor foto. O que eu acho que você quer dizer é que com a digital dá pra experimentar mais, por que não tem os custos de película e revelação envolvidos… Claro que se eu posso arriscar mais, eu vou utilizar esse recurso. Mas dá pra saber olhando de fora quando a foto vai ficar boa ou não.

A fotografia colaborou muito para o registro de toda história da música. Você sente essa importância na hora em que está trabalhando? Busca flagrar momentos históricos?

Nem a pau… Na hora, eu tô lá fazendo meu trabalho, nem tô pensando em cacete de história e heroísmo de nada. Eu faço isso porque eu gosto, não pra virar herói de nada. E, sério, se tem alguém aqui que tá fazendo foto pra ficar pra história, dá um pau nesse cara, porra de vida, você não vale merda nenhuma.

Qual fotógrafo lhe serve de inspiração?

Dos antigos, Glen E. Friedman e o Edward Colver. Foram os maiores. Hoje em dia, o Mateus Mondini é o melhor fotógrafo punk no mundo. Ninguém chega nem perto dele. É até covardia ver as fotos por aí e comparar com esses três. Senso de composição, enquadramento, expressão, referência… Mesmo as bandas que esses três fotografam, olha só a relevância de você ir atrás de um Fugazi, de um Circle Jerks ou de um Regulations pra registrar. Não dá nem pra imaginar colocá-los lado a lado com o resto do mundo. Eu gosto muito do Mick Rock também, do Charles Peterson e do Steve Gullick.

Você já tirou alguma foto engraçada que teve que deletar ou não revelar/divulgar?

Que eu me lembre, não…

Você tem projetos de expo, site novo, livros?

Eu continuo fazendo com o Mateus o fanzine “Fodido e Xerocado”, que é um fotozine de bandas punks pelo mundo. Ele já foi editado como livro/fanzine pela Cospe Fogo Gravações e Augusta Edições, e já tá quase, quase esgotado. Continua da mesma forma: papel simples, xerocado, muito preto e de graça.

Contatos:
www.myspace.com/fodidoexerocado

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Luringa

Como aconteceu o seu envolvimento com a fotografia?

Sempre trabalhei com fotografia em jornais e sites fazendo edição e tratamento de imagens. Como fotógrafo deve fazer uns oito anos, mas comecei com bandas só em 2004, com o Food4Life.

Hoje dá para viver de cliques no Brasil?

Sim, eu vivo exclusivamente de fotografia, e 90% do meu trabalho é com bandas.

Analógica ou digital? E explique o por quê da sua escolha.

Na verdade, na era atual que vivemos é quase impossível optar pela analógica, até porque as fotos são sempre usadas na internet, e a facilidade que a câmera digital proporciona no meu trabalho é imensamente mais válida que uma analógica proporcionaria. Sei que a analógica possui mais qualidade, só que, no meu caso, é impossível devido ao fluxo de trabalho atual optar por uma analógica. Atualmente as digitais estão muito avançadas, compensa sim usar uma.

Dizem que uma das vantagens da fotografia digital é o fato de ela permitir infinitos cliques até que rolem as melhores fotos. Isso é verdade? Você utiliza essa técnica?

Sim, com certeza na fotografia digital você faz muitos mais cliques. Eu, por ter começado nessa era, sempre fiz muitos cliques, mas cada vez mais consigo aproveitar esses, digamos que atualmente 75% de tudo que clico é usado e de qualidade.

A fotografia colaborou muito para o registro de toda história da música. Você sente essa importância na hora em que está trabalhando? Busca flagrar momentos históricos?

Acho muito importante para o registro da história da cena musical, mas na verdade não busco só isso quando estou em ação, e sim registrar da melhor forma o momento e passar a emoção daquele instante para quem vê a foto. Se isso depois vai se tornar um registro histórico é outra coisa, mas que pelo menos seja um bem feito.

Qual fotógrafo lhe serve de inspiração?

Bob Gruen, Sebastião Salgado, entre muitos outros…

Você já tirou alguma foto engraçada que teve que deletar ou não revelar/divulgar?

Várias, tenho fotos comprometedoras de muitas bandas e pessoas públicas, mas como sou amigo de quase todos, jamais publiquei ou passei adiante certas imagens. Questão de ética.

Você tem projetos de expo, site novo, livros?

Tenho em mente abrir um estúdio ano que vem e criar um escritório para agenciamento de fotógrafos. Espero também realizar algumas grandes parcerias que vão viabilizar uma série de expos pelo país. Porém, ainda é um projeto no papel.

Contatos:
www.fotolog.com/luringa
www.flickr.com/photos/luringa
luringa@gmail.com

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Caio Paifer

Como aconteceu o seu envolvimento com a fotografia?

No último ano do colegial, comprei uma máquina amadora e gostei, passei a estudar por conta. Mas começou de verdade quando esqueci de ir no vestibular de Publicidade e Propaganda. Eu ia usar a nota do ENEM, era só comparecer no dia e fazer qualquer coisa na prova. Minha nota tinha sido alta e eu tava garantido. Fiquei tão desencanado que acabei esquecendo (risos). Como o plano era fazer um curso de foto depois da faculdade, inverti a ordem e me matriculei num curso de fotografia. Depois disso não parei mais. Trabalhei em estúdio um tempo como assistente, fotografei algumas bandas na Inglaterra quando me mudei pra trampar lá e hoje trabalho só como freelancer.

Hoje dá para viver de cliques no Brasil?

Dá sim, faz um tempo que tô trabalhando exclusivamente com isso. Não dá pra depender de fotografia de música, pelo menos eu ainda não consigo. Muita gente quer pagar pouco, ou quase nada, o que me deixa um pouco puto, porque fotografar show é MUITO mais difícil e trabalhoso que um evento por exemplo, que costuma pagar até 10 vezes mais que shows. Mas de fotografia em geral dá pra viver sim, só não pode ficar parado, tem que investir em equipamento, se atualizar sempre, correr atrás de contatos novos…

Analógica ou digital? E explique o por quê da sua escolha..

Acho que hoje em dia o analógico é para um trabalho mais autoral, quase que um fetiche (risos). Já foi provado que o digital chegou à mesma qualidade, ou até superior, e é bem mais ágil, você fotografa na hora e em alguns minutos as fotos já estão na redação de um jornal, por exemplo; ou em show, em algumas horas a banda já tem as fotos escolhidas e tratadas, coisa que seria inviável com o analógico. Bem, eu peguei bem o final dessa época, fotografei pouco com filme, então eu acho inviável porque estou acostumado com essa agilidade, a facilidade de passar a foto pro Photoshop e fazer o que quiser. Mas tenho muita vontade de comprar uma LOMO (uma máquina fotográfica russa, bem antiga, de filme) e sair fotografando algumas doideiras por aí (risos).

Dizem que uma das vantagens da fotografia digital é o fato de ela permitir infinitos cliques até que rolem as melhores fotos. Isso é verdade? Você utiliza essa técnica?

Eu tento não fotografar nada de bobeira, até porque as câmeras têm vida útil. Se eu acho que de lá não vai sair nenhuma foto boa, eu não insisto. Mas, se é uma situação que acho que vai render uma foto boa, eu clico algumas vezes sim, pra pegar uma expressão melhor, não correr o risco da pessoa piscar o olho bem na hora. Mas é inegável que tem uma galera que fotografa a mesma coisa 100 vezes, porque alguma foto boa tem que sair, né (risos), e vão ter algum material pra mostrar. Mas acho que isso acontece mais com quem tá começando a fotografar, com o tempo você começa a pegar as manhas e passa a clicar menos, conseguindo um resultado bem melhor que antes, porque não tá mais atirando no escuro.

A fotografia colaborou muito para o registro de toda história da música. Você sente essa importância na hora em que está trabalhando? Busca flagrar momentos históricos?

Isso é algo que comecei a ter mais consciência hoje em dia. Ainda não cheguei a fotografar nenhum Hendrix botando fogo numa guitarra ou um Ozzy comendo a cabeça de um morcego, mas olhando meus primeiros trabalhos, vejo algumas coisas curiosas, como um show do Gloria, todos com a cara pintada. Acho que muita gente que gosta deles agora nem sabe que eles pintavam a cara em alguns shows.

Qual fotógrafo lhe serve de inspiração?

Steve Gullick! Acho que esse é o meu favorito de todos os tempos, tenho livro de fotos, revista dele e tudo mais. O engraçado é que apesar disso, minhas fotos não lembram as dele, eu acho. Talvez seja mais admiração que inspiração. Eu via muita coisa do Eugênio Vieira enquanto tava estudando, uma professora de fotografia me apresentou o trabalho dele na época e, com certeza, marcou. Hoje em dia gosto muito do trabalho do Joey L, Kevin Russ, Dave Hill… Aqui do Brasil eu curto bastante o trampo do Daigo Oliva (um dos entrevistados) e do Mateus Mondini.

Você já tirou alguma foto engraçada que teve que deletar ou não revelar/divulgar?

Hum, não que eu me lembre. Sempre acontece em shows de você conseguir alguma foto em que a pessoa tá meio desfigurada, uma cara bem feia, mas normalmente só dou risada na hora que vejo na câmera e desencano depois (risos).

Você tem projetos de expo, site novo, livros?

De expo ainda não, pelo menos não surgiu nenhuma oportunidade boa por enquanto. Eu tava hoje mesmo selecionando minhas melhores fotos pro meu site, creio que no começo do ano deve tá pronto, espero. E de projetos, bem, tô bem empolgado pra me meter a trampar com vídeo no ano que vem, mas nada concreto ainda, um passo de cada vez.

Contatos:
caiopaifer@hotmail.com
www.flickr.com/caiopaifer
www.fotolog.com/caiopaifer

 

Comentários

  1. Cassio Leite em:30/11/-0001

    fudida,curti muito,tambem amo fotografia!

  2. Tinho em:30/11/-0001

    Amo fotografia, pretendo seguir como profissão. E o cenario underground sempre me encantou até hoje não entendi direitpo por que, mas acho foda demias, deve ser por isso que to sempre em shows. Parabens pra todos. Por incrivel que pareça to sempre acompanhando o trabalho da maioria dos entrevistados!