Entrevista Fepaschoal por Mozine


Entrevista por: Fábio Mozine (Laja Records)

Se o senhor tivesse que definir o som que você faz, sem inventar rótulos, apenas com um estilo, qual seria? World music? Pop? MPB? Música regional?

Os donos de lojas de disco tinham a prateleira “World Music” para colocar os discos que não conseguiam definir. Eu não sei definir meu som em um estilo porque ele não tem um só estilo. Tenho influências de samba, forró, afrobeat, de Ravi Shankar, de Rock, de Jazz, de canto grutural da Mongólia… Música do Mundo, né?

Antes de fazer o tipo de som que faz, você teve uma história com o hardcore, me conte sobre isso. Teve banda ou apenas ouvia e fazia merda na rua?

Tive bandas e fazia besteira na rua. Num cheguei a gravar nenhum disco com tais bandas, mas algumas ficaram pra história do Rock n Roll Guarapariense: Cruiz Kredu, Teendoida…

Ainda sobre hardcore, recentemente você gravou com a nossa banda (Mukeka Di Rato) e agora está escrevendo letras pro Merda. Pode-se esperar algum dia algo de mais hardcore (musicalmente falando) dentro do seu projeto?

Acho que me descobri como um misturador. Fazer um HC somente HC não me completaria. Mas penso em montar uns projetos paralelos de música mais pesada… Pensei até em um nome: Satanás Fumando Pedra.

Fepaschoal é o seu nome, então presumo que você tenha uma carreira solo e não uma banda. Como foi encarar isso desde tão novo? Aliás, quantos anos você tem?

Posso ter um nome próprio que designa um projeto, mas não se trata, de todo modo, de uma carreira solo. Eu comecei com o respaldo de um coletivo de artistas, o Expurgação. Dentro deste coletivo existem outros nomes também. Acho que se eu tivesse feito tudo sozinho teria sido meio estranho. Tenho 25.

Tô ligado que você pira em coisas e sons do nordeste. Como foi fazer sua primeira tour nessa região?

Foi o bicho! Deixou na instiga pra mais outras.

Qual é a sua história com o coletivo Fora Do Eixo?

Eu fiquei sabendo do FDE quando fui à Feira da Música de Fortaleza em 2009 e achei bem legal. Mais tarde rolaram uns flertes entre FDE e o Omelete Marginal, onde fiquei sabendo um pouco mais. Envolvimento mesmo começou este ano, agora que vários coletivos daqui se uniram pra fazer o FDE-ES. E nessa onda teve show de lançamento do CMDO Guatemal, show na CAFESP, Turnê no Nordeste… O Fora do Eixo tá se espalhando no Brasil rizomaticamente, já transformou muita coisa pra melhor e ainda vai longe.

O que é Expurgação e Expurgadores, um coletivo?

Começou como um grupo de amigos que faziam barulho dentro de um apartamento até altas horas, aterrorizando a vizinhança. Depois o pessoal viu que aquilo se tratava de uma galera que tava numa vibração muito semelhante para produção artística e resolveu se jogar, alugar casa, largar trampo…

Qual a formação atual e/ou fixa da sua banda? Quem é quem aí?

Hoje temos o Huemerson Leal (Boizinho), Na bateria e percussões, foi meu principal parceiro na gravação do disco, fez toda a parte rítmica. O Alexandre Ney (Xandy) na guitarra, Vitor Lima no sax e percussa e estamos com um novo baixista, o Francisco Neto (Chicow). Não gosto de pensar nisso como uma formação fixa, porque a música é fluida e todos temos que respeitar sua natureza.

E esses bandidos fazem o que fora da banda? Tô ligado que tem gente envolvida aí com foto, pintura, literatura, produção… Me conta mais um pouco sobre cada um deles, mas resuma hehehe

O Boizinho é um dos artístas mais alienígenas que eu já vi. Se você ver os quadros dele talvez entenda. O Vitor Lima é um pé de forró e estuda Design. O Xandy é cineasta e tá lançando um curta muito legal agora, pelos festivais, o “UMA”. O Chicow é um tocador de sítara, fotógrafo e vídeo maker excelente. Eu estudo (tento terminar) o curso de Letras e atualmente trabalho com produção musical, gravando trilhas p/ vídeos e produzindo músicos/compositores.

O que falta no ES pra te dar vontade de tocar um pouco mais por aqui?

Mais espaços dedicados p/ shows. Espaços mais democráticos. Tenho esperança numa melhoria. A gente tá engajado pra que isso mude.

Fale alguma coisa de positivo do seu estado e de sua cidade, é possível?

Espírito Santo, terra em que se trabalha e confia. Uns trabalham até demais, para seus patrões, e esquecem de viver, destes eu desconfio. Outros já abriram os olhos e muitos estão abrindo para outras possibilidades. Vitória é uma cidade plana, dá pra fazer tudo de bicicleta. Mal ou bem tem praias, que a gente desencana que tá podre e mergulha assim mesmo… É uma capital mas é pequena. Não tem como sair na rua sem esbarrar com uns 3 conhecidos…

Gostou do resultado do seu primeiro disco? Cite algo negativo nele.

Gostei. Curioso você me perguntar isso. Hoje eu estava pensando nas transições entre as faixas: Infelizmente não se executam da mesma forma em qualquer tipo de player, o que dá a sensação, em alguns casos, de final brusco das faixas. O seu grito na “Planador” também, Fábio; acho que poderiamos ter feito outro take, numa outra sala, com menos Domecq…

Pensa em sair do estado ou sua base vai ser o ES?

Penso em sair e ter uma base aqui também.

Dê um recado final.

Joga no capricho. Mil grau.

Mais infos: http://www.fepaschoal.com.br/

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