• Entrevista Sugar Kane

    Entrevistas 11/01/2012

    A gravadora Laja Records lança o compacto em vinil da banda Sugar Kane. Convidamos então o "chefe" da Laja, Fábio Mozine, para entrevistar o Capilé, vocal e guitarra do SK.

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    Fabão“Hoje entrevistarei uma das bandas mais lindas da empresa Laja Records. Ao mesmo tempo que alguns punks mais do sul do Iraque, ali perto das montanhas, tacaram algumas pedradinhas bem de leve em nós, virtualmente pelas redes sociais, outros ficaram curiosíssimos e empolgados em descobrir o motivo da empresa contratar para o lançamento de um vinil de 7”, os tão garbosos jovens sulistas do Sugar Kane – Fabão Mozine

    Capilé, boa tarde. Podemos dizer que vcs são as ovelhas brancas da Laja Records? Vocês são os mauricinhos da empresa?
    Sim, somos os boy magia da Laja! Alguém precisava trazer um pouco de beleza pro selo né, e o selo precisava sujar um pouco a gente! Ser uma ovelha branca nesse caso é uma honra.

    Qual foi o start da idéia de fazer esse EP? Foi o “Fuck the kids”, do NOFX, ou foi outra parada?
    Quando nosso Big Boss (você, Mozine) nos convidou pra lançar esse 7″, na hora veio a lembrança do FUCK THE KIDS do NOFX, e o conceito veio disso, uma paródia com o EP dos caras. Na nossa versão “fudendo” os jovens emos, que ilustraram durante um bom tempo o rock do Brasil. Foi tipo um CHEGA DOS MESMOS.

    Nofx na minha cabeça, é uma banda que eu chamaria de hardcore melódico. Vocês tocam o que? Rock, hardcore melódico, rock melódico, como você define o som que vocês fazem? Sim, eu quero um rótulo.
    Somos uma banda de Rock com raiz no Punk/HC da Califórnia dos anos 90.

    Vocês tentaram fazer sucesso em uma determinada época da banda, ou chegaram a acreditar que fariam? Eu digo isso, mais ou menos naquela época em que rolou o Nxzero crescendo, o Dead Fish também tocando em shows um pouco maiores, a parada do Hatten etc??
    Sucesso é relativo. A gente realmente acreditou numa época que ficariamos mais conhecidos pelo grande público, chegamos a ir em várias entrevistas em Majors, mas não rolou uma proposta verdadeira, mais enrolação. Hoje entendemos melhor como funciona o mercado da música, e sabemos que nem tudo que reluz é ouro. Nunca mudamos o som em busca de um objetivo comercial, sempre tocamos o que fomos a fim de fazer. O “sucesso” veio de uma forma mais alternativa, que hoje em dia achamos até mais legal.

    Se caso um desses produtores ai, tipo uns Rick Bonadio da vida, quisessem fazer vocês virarem o sucesso, vocês teriam as manhas de fazer umas músicas mais comerciais? Vocês já tiveram esse tipo de proposta? Dá tempo ainda pra fazer isso ou vocês já são velhos?
    Mudar pra fazer sucesso nunca, isso é meio sem sentido e vai contra o que acreditamos como banda. Se for pra mudar, tem que ser pra pior, tipo fizemos nesse EP da Laja rs! Poderiamos ter entrado na panela mainstream se esse tivesse sido nosso objetivo, mas nunca nos focamos nisso, sempre priorizamos outras coisas à sucesso comercial. Eu acho que já não somos nenhuma novidade, se um dia atingirmos o mainstream será por persistência. Somos os jovens velhos.

    Qual a formação musical de vocês, o que vocês ouvem? Dessas bandas mais emo, vocês gostam de alguma?
    A galera tem uma formação variada. Em comum temos as bandas de Hardcore Melódico e Punk, como Bad Religion, NOFX, Pennywise, Descendents, Lagwagon, Black Flag… Escutamos muito rock classico como Beatles, ACDC, Metallica, Police, Zeppelin, Pearl Jam… O Rick tem um lado Blues bem forte e o Flavinho mais Hard Rock. Emo mesmo nenhuma, acho que o mais perto é Blink, que alguns da banda curtem, não eu rs.

    Vocês são emos?
    Não.

    A galera acha que vocês são emo?
    Teve um momento que rolava essa dúvida, mas passado o furacão emo, as pessoas notaram que não somos. Claro que sempre vai ter aquele cara HC cabeça fechada chato pra caralho que vai dizer “esses Sugar kane são uns emo do caralho”, até ai, que se foda, cada um acha o que quer.

    Vocês estão morando em SP nesse momento, ta todo mundo na mesma casa? Vocês estão vivendo apenas da banda?
    Sim, a banda esta em SP há quase 5 anos. Na casa moram apenas 2 integrantes da banda, eu e o Pindé. O Rick e o Flavinho já são de SP e moram separados da gente. Na casa ainda mora nosso ex-produtor Arnilha e nosso ex-merch Tiozão. Continua sendo a SUGAR HOUSE, a sede oficial da banda. Na banda todos vivem só de rock, menos eu, que além da banda sou diretor de arte, mas isso há apenas um ano.

    SK - 2003

    Vocês estão usando drogas?
    Alguns sim, outros não.

    Em que tipo de cena vocês acham que estão inseridos no Brasil hoje em dia? Quais são as bandas que vocês se equiparam e consideram que seriam bandas que estão na mesma sintonia / roubada? Você considera que existe uma cena especifica em que vocês estão envolvidos?
    Estamos hoje envolvidos com a cena rock independente eu diria, em alguns momentos mais shows de HC em outros mais rock, depende. As bandas que somos amigos e que compartilham do estilo pobrestar de ser, não pertecem a algum estilo especifico. Compartilhamos esse nosso “mundo pobrestar” com bandas como Vespas Mandarinas, Vivendo do Ocio, Rancore, Sabonetes, Vowe, Bullet Bane, Dead Fish, Mukeka, Chuva Negra, Medulla, Pulldown, Plastic Fire, Colaterall, Hateen, Zander… uma galera. Não existe mais uma cena especifica como antes pra gente, a galera ta mais unida pelo estilo de vida roqueiro do que pelo som em especifico.

    Como foi trabalhar com o Chuck nesse EP? O que vcs fizeram de diferente dos outros discos de vocês? Alguma coisa dessa nova produção, algum aprendizado ou experiência, poderá ser usado no futuro em outros discos?
    Foi mais uma vez super tranquilo trampar com o Chuck, já somos grandes amigos há um tempo. Ele manda muito bem e sabe como tirar nosso melhor, ou pior rs. Ele buscou mostrar o lado mais cru da banda. Gravamos o instrumental ao vivo e sem overdubs. na composiçnao buscamos ser bem mais agressivos que usualmente. O SK sempre buscou gravar discos muito bem produzidos, com som bem hi-fi. Essa experiência de trazer nosso som pro low-fi funcionou bem, o Chuck acertou em cheio, com certeza aprendemos muito nesse novo processo de registrar nossas músicas. O clima de gravar no Costella(Estúdio do Chuck) é pura vibe boa. O SK mudou depois desse EP, com certeza seremos uma banda mais crua daqui pra frente.

    SK - 1997

    SK - 1997

    Esse é o primeiro material de vocês lançado em vinil? Qual a relação pessoal de vocês com o vinil, o que você tem em casa nesse formato?
    Sim, nossa primeira bolacha. Eu pessoalmente adoro vinil, tem um som unico, além de ser bem mais legal que um cd como um objeto de consumo musical. Em casa tenho alguns já, dos Beatles, Foo Fighters, Police, Black Sabbath, Rancore… to começando a coleção ainda. Eu acredito que depois da era digital, quem quiser o registro fisico do disco vai optar pelo vinil, por ser mais legal mesmo.

    Vocês recentemente fizeram uma tour na Europa, qual foi o esquema? Quem levou vocês pra la, quantos shows fizeram, pretendem voltar?
    O esquema foi bem underground, fizemos 17 shows em 3 paises(Holanda, Alemanha e Rep.Checa). Quem nos levou foi nosso tour manager por lá, o Soup, que é empresário do Longing For Tomorow, banda que fez a tour com a gente. Foi a primeira vez que fizemos uma tour de verdade, tocando todo dia, viajando sem parar, pouquissimos day-off, foi intenso. A banda mudou muito depois disso, nossa relação melhorou, porque a tour foi uma tempestade, neguinho tudo de saco cheio um do outro durante a viagem, foi um grande aprendizado, a banda amadureceu muito. Esse ano devemos voltar pra Europa, desta vez fazendo mais paises, e com uma outra visão da parada, vai ser animal voltar por lá.

    Esse clip novo de vocês é totalmente inspirando em TV PARTY, do Black Flag, estou certo? Quando poderemos assistir isso? Ele foi gravado em VHS ou foi gravado digital e vai passar por uma simulação?
    Sim, é totalmente inspirado no TV Party do Black Flag, de propósito mesmo. A idéia do diretor, Daniel Ferro, era copiar as cenas do clipe, como forma de homenagem aos caras, que estão fazendo 30 anos. Ele foi inteiro filmado em VHS por esse motivo, queriamos a mesma qualidade do clipe do Black Flag do começo dos anos 80, tosqueira total. Foi um processo bem diferente dos outros clipes, nos divertimos demais fazendo esse! O Chuck participou como o dono da casa, o que trouxe mais ainda o espirito e a vibe do EP. Ele estréia dia 19/01 no Portal da MTV, onde estarão em primeira mão os 4 sons do disco em streaming. Clipe 100% DIY.

    Vocês gravaram uma musica do meu grupo, Os Pedrero, nesse EP. Eu sempre tive certeza que se essa musica (Rock Falido) fosse gravada por uma banda decente, ela ficaria um lindo rock, obrigado por isso. Vocês fizeram isso pra puxar saco do novo chefe de vocês?
    Que bom que gostou chefe! Com certeza foi pra puxar seu saco, e além disso pudemos transformar sua música num ACDC, valeu por isso. Todos no SK, em unanimidade, adoram as músicas de suas bandas, Rock Falido é uma obra de arte.

    SK - 2008

    SK - 2008

    Quando vocês começaram a cantar em português, e por quê?
    Logo que ouvimos o Sonho Médio do Dead Fish descobrimos que rolava fazer HC em português. Escrevemos nosso primeiro som “As vezes Penso”, que ficou em primeiro lugar nas paradas digitais da epoca, no extinto mp3.com. Depois disso notamos que a mudança pra português tornaria nossa mensagem mais acessível pro público brasileiro, o que abriu muitas portas pra gente. Foi bem natural, quando percebemos já tinhamos um disco todo em português, o “Por nossa Paz”, nosso segundo, que foi lançado em 2001 pela gravadora dos Dead Fish, a Terceiro Mundo Produções Fonográficas.

    Você não acha que hardcore melódico fica bem melhor, se cantando em inglês?
    Eu acho que os dois ficam legais, cada um tem seu ponto forte. Hardcore em português acaba ficando mais original. Em inglês atingimos mais gente pelo mundo, torna a música mais universal. Eu acho muito bom termos essa liberdade de poder escrever nas duas linguas, conquistamos isso com o tempo, fazendo os dois.

    Entrevista podre com meus amigos lindos do hardcore melódico brasileiro. Deixem suas ultimas palavras aos jovens.
    É um prazer enorme estar lançando este EP pela Laja Rex, chefe. Apesar de não sermos tão da pesada quanto as bandas da Laja, compartilhamos do mesmo dia a dia e do mesmo mundo, somos todos persistentes do rock alternativo no paraíso tropical, uma tarefa cada vez mais dificil. Que sirva de exemplo pros radicais que as diferenças não são limitadoras, e que uniões inusitadas geram novos frutos a todos. Que esse namoro vire casamento! Valeu.

    PARA SEGUIR: http://twitter.com/sugarkanerock e http://www.facebook.com/sugarkanerock
    PARA OUVIR: http://www.myspace.com/sugarkanemp3
    SITE DA LAJA RECORDS: http://www.laja.com.br

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