O Vereador Quique Brown


Quique, você agora é um político. Foi eleito pela galera que admira seus trabalhos na sua cidade. Como você enxerga essa sua nova profissão, de um lado o povo e do outro seus colegas de profissão?

Tenho total noção de que se eu quiser construir um lance massa dentro da política, terei que olhar sempre com muita atenção pros dois lados, pendendo sempre meu olhar com mais atenção e admiração para o povo.

A política é cheia de vícios e assim como ninguém sai do crack de um dia pro outro, ninguém vai deixar de dançar lambada de uma hora pra outra nos palácios do planalto mundo a fora, mas com certeza dá pra driblar e principalmente não consumir as drogas que a política te oferece e focar sua atuação dentro de uma plataforma popular.

A grosso modo, a pegada é ser straight edge num universo onde o rock é famoso pela tríade sexo, drogas e rock and roll.

E a carreira politica deve afetar na agenda do Leptospirose?

Não.

Na gringa não espanta ninguém um rockeiro sair candidato. Aqui um rockeiro/punk/under se não me engano você é um dos primeiros. Por que nossos punks tão politizados não se candidatam para tentar mudar algo?

Muita gente dentro de cena rockeiro/punk/under me apoiou incondicionalmente durante todo o processo eleitoral, confesso que fiquei até um pouco espantado com isso.

Nessa eleição, o Porkão do Festival Tendencies se candidatou em Palmas-TO e foi muito bem votado; um rockeiro e produtor de filmes pornô/underground que vende seus próprios filmes numa feira livre de Maceió-AL, chamado Lobão, foi um dos candidatos mais votados da cidade e infelizmente não entrou por causa da legenda. Somos poucos, mas estamos aí fazendo um barulho.

Conheço outras pessoas muito bacanas que quase se candidataram como o Ete do Muzzarelas, que não saiu em Campinas graças a improvável coligação que seu partido acabou se metendo e a Flávia Biggs (Sorocaba-SP) que tava total na causa da cultura assim como o Ete e acabou não saindo por motivos pessoais. Entendo perfeitamente o motivo deles terem desistido, mas nos próximos anos, pretendo pilhar esse dois e vários outros meliantes pro páreo eleitoral das Olimpíadas de 2016.

E é possível mudar algo?

Com certeza!

Houve preconceito durante a campanha, com seu visual ou por ter uma banda tão pesada e barulhenta?

Ao mesmo tempo que teve preconceito pra caralho, os “preconceituosos” foram peças chave na reta final da eleição. Chamei os preconceituosos de “grupo 3”, eram pessoas que sabiam, mesmo que de forma muito superficial, quem eu era, e na maioria das vezes, conhecia gente que também me conhecia.

Durante toda a campanha eu alertei meus eleitores sobre o “grupo 3”, e em conjunto, criamos um “escudo-protetor” contra essa rapaziada. Sempre que surgia uma conversa tipo: “Aquele cara vai ficar fumando crack no gabinete” o eleitor respondia; “O cara nem cigarro fuma, você já conversou alguma vez com ele antes de sair por aí falando isso?”. Nesses embates, ou a gente acabava ganhando o voto do próprio preconceituoso, ou acabava ganhando o voto das pessoas que estavam por perto e ouviam a conversa.

Independente de preconceito, usei muito essa coisa do underground, do diferente a meu favor. Entendendo o underground como uma coisa voltada a um público específico, então saí por aí explicando que skate, atletismo, baralho, cavalo, ping pong, literatura, yoga, acupuntura, agricultura orgânica, jazz, sertanejo raiz e Caetano Veloso, assim como o Leptospirose, estão completamente fora do “senso comum” – que tudo isso é underground – e minha meta é trabalhar lado a lado com esses grupos sociais “abandonados”.

Esse discurso colou legal e essa rapaziada entrou com muita força na minha campanha.

E a escola de música de vocês, continuará? Existem planos para a questão de ensinar música/arte aos jovens via prefeitura?

A escola continua 100% normal.

A juventude será peça chave no meu governo e levar o maior número de oficinas e atividades culturais para os jovens é uma das minhas principais metas. Pretendo ser o elo de ligação entre os “menor-idade” e o poder executivo num trabalho altamente alinhado com as secretarias de esporte, educação e cultura.

Você se vê seguindo o caminho da política, visa algo estadual ou quem sabe Quique para presidente? hehe

Difícil pensar em qualquer coisa desse tipo agora, primeiro preciso descobrir se ser vereador é da hora hehehe. No campo estadual/federal, pretendo chamar pra frente, várias lideranças de outras cidades pras próximas eleições.

No seu gabinete irá tocar:

Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção, Frank Zappa, Motorhead, Black Flag, Elomar, Tim Maia, Jards Macalé, Dead Kennedys, Love, Grateful Dead, Sly & The Family Stone, Adolescents, Ratos de Porão, Galinha Preta, Gal Costa, Ramones, The Clash, The Who, Stones e outros hits.

Se você pudesse escolher um rockeiro brasileiro para Presidente da Republica quem seria, e por quê?

Eu levaria o Jão do R.D.P. pra presidência com o Fábio Mozine de vice.

Jão é nosso pai, trata-se de um cara que virou de cabeça pra baixo o underground brasileiro, evoluiu pra caralho tanto no campo da música, quanto no campo das ideias, nunca abandonou suas raizes e é humilde pra caralho.

Fábio é um cara que ta sempre botando coisas no mercado com um tino comercial tipicamente brasileiro no meio de uma crise muito desgraçada da industria fonografica, sem se prender a nada e se arriscando sempre.

E por fim vamos falar de Leptos. Vem CD novo, doideiras novas para ano que vem?

Tamo começando a ensaiar direto. Com o advento das tradicionais férias escolares, vários alunos tem faltado no Jardim Elétrico e a gente tem usado esse tempo “livre” pra compor. Entre ideias e músicas ensaiadas, já temos umas 15 canções, várias delas com tempo ímpar, lindo e quebrado. Lá pra fevereiro a gente deve ter novidade pra caralho a respeito disso.

Mais infos sobre o Leptospirose aqui