Entrevista Positive Youth


O Positive Youth está gravando um novo disco, o que diferencia ele das Demos, Eps e o CD Seja Forte?
O que diferencia é a maturidade na produção musical, na preocupação de superar o que já fizemos durante esses anos. Estamos nos cobrando muito na composição das músicas, desde bases (instrumental) até nas letras. Acho que essa é a maturidade que adquirimos com o passar do tempo. Estamos fazendo algo que realmente gostamos, de uma forma bem sincera e estamos muito felizes com os resultados, esperamos que as pessoas também gostem.

E há planos para voltar a fazer turnê na Europa como fizeram em 2011?
Sim, uma das coisas que nós mais gostamos é sair viajando com a banda, conhecendo novos lugares e fazendo novas amizades, levar nossa realidade para que outras pessoas tenham conhecimento. É muito prazerosa essa conexão que fazemos com outros lugares, por isso nossa intenção é poder viajar o quanto pudermos. A idéia é sempre produzir coisas novas, não só com a banda, mas também com nossos projetos paralelos dentro do hardcore.

E como anda a “Juventude” no geral na visão de vocês? Vocês são StraightEdge’s e com uma postura bem Punk, onde vocês veem o maior problema no abuso das “drogas” (bebida e drogas) ou na falta de interesse dos jovens por melhorias sociais?
Falar sobre a juventude em geral é algo bem complicado, seria uma grande generalização. Acreditamos na existência de uma grande parcela dos jovens interessados em discutir política como também existem os que não têm interesses nessas discussões, no final das contas todos acabam tendo algum diálogo sobre o assunto, pois vivemos dentro desse sistema e na grande parte do tempo o alimentamos, acaba sendo inevitável. A questão das drogas é bem ampla, é corriqueiro ver propagandas e campanhas contra as drogas circulando pelos diversos veículos de comunicação, claro tendenciosamente a discriminar as ilegais e legitimar as que por lei são legais como o álcool. Em São Paulo, nos últimos dois anos o grande foco é o crack, é explicito o interesse lucrativo de políticos e de grandes corporações por de trás dessas ações, como por exemplo, o Projeto Nova Luz e a “higienização do centro”, há uma grande responsabilidade social ligada ao consumo de qualquer tipo de droga, o que se vê, cada vez mais claro, é o descaso com o ser humano, tratando-nos como objeto ou “coisas”. Voltando a questão dos jovens e as melhorias sociais, podemos citar a participação da juventude em alguns acontecimentos do ano de 2011 pra cá, mostrando que não só a juventude, mas todos aqueles que se sentem lesados de alguma forma estão se manifestando. As manifestações e protestos que aconteceram no Egito com a Primavera Árabe, na Espanha com a Democracia Real, nos Estados Unidos com o Occupy Wall Street, e aqui no Brasil com o Ocupa Sampa, os estudantes da USP, o MPL (Movimento Passe Livre), as ocupações dos Movimentos dos Sem Teto e as mobilizações e manifestações dos moradores e simpatizantes por todo o Brasil sobre os acontecimentos em torno da desocupação e retomada de posse da terra, sem esquecer a truculência e abuso de autoridade por parte do governo do Estado de São Paulo e da Polícia Militar em Pinheirinho. Nos leva a crer que a população está se conscientizando cada vez mais e já se mobiliza e se organiza a favor de reformas e melhorias sociais no mundo todo, talvez podemos chegar a conclusão de que há uma gradual retomada de consciência e sensibilidade por parte da população.

Vocês gostam muito do DIY, seja na produção de discos, camisetas e até mesmo festivais com a “Juventude Positiva Produções”, quem se indetifica e não sabe por onde começar o que deve fazer para produzir seus próprios produtos ou eventos?
Achamos que não existe uma formula primaria pra alguém começar a produzir as coisas, mas, uma das coisas que aprendemos e cultivamos durante esses anos é a produção em coletivo, a troca de conhecimento e experiência nesse tipo de organização é de grande valia. Então basta ter força de vontade e iniciativa, o caminho não é fácil, e sempre haverá obstáculos, a falta de estrutura, por exemplo, ainda é uma das grandes dificuldades na organização de shows.
Quando formamos á banda, sentimos dificuldades em participar dos circuitos de shows que já aviam na cidade, na época não tínhamos muita experiência em organização de shows, mas mesmo assim prosseguimos, a princípio na zona leste, com dois festivais, o Terror House e o Mosh or Die.
O Terror House era um show organizado dentro de uma sala minúscula, feito na periferia, com a idéia de cobrar o mínimo de dinheiro possível (que era para cobrir os custos do show), na entrada era cobrado o valor de dois reais e os lanches eram vendidos a um real, no final ainda distribuíamos comida de graça (nos moldes da Verdurada), os shows das bandas eram uma verdadeira loucura, o evento acabou ficando famoso por esse formato. Tanto que tocaram bandas como Discarga e o Hit Me Back dos EUA.
Isso é um exemplo de que o faça você mesmo só depende de você, como diz o Cólera:
“Faça você mesmo, faça pra entender”.

StraightEdge’s que comem carne, Vegans que usam drogas, Punk filho de político que apresentava programa de TV. O que está certo e o que está errado?
Sobre o lance do sxe comer carne, é algo pessoal. Aqui no Brasil é visto com estranheza, é complicado de julgar, pois o Straight Edge em sua essência é o punk livre de drogas, e o vegetarianismo com o passar do tempo acabou caminhando lado a lado, do nosso ponto de vista, por questões éticas e libertárias. Falando das outras questões, é complicado dizer o que é certo ou errado, o que vale é a pessoa absorver o máximo de coisas positivas dentro do hardcore/punk, e contestar e ser crítico a determinadas coisas que ainda existem dentro do mesmo, como o preconceito, machismo, e qualquer coisa que atinja a liberdade do próximo, pois são essas as lições que aprendemos com o hardcore/punk.

Você está produzindo um documentário sobre o Straight Edge no Brasil. Já pode nos adiantar, quem participa, como será lançado e se há alguma raridade absurda no vídeo?
Eu (Edi) tive a ideia de produzir esse documentário, no intuito de contar a história do Straight Edge no Brasil até os dias de hoje.
Como não tenho problemas pessoais com nenhuma pessoa da cena, estou conseguindo convencer pessoas que nunca quiseram falar sobre sxe para nenhum documentário.
Muita gente está ajudando, no nordeste com o nosso amigo Fabiano da Estopim Records, assim como os meninos do Colligere que ajudaram em Curitiba. Mas ainda temos muito trabalho pela frente, estamos conseguindo muitos arquivos nunca vistos por ninguém, e entrevistas com pessoas importantes para história do sxe no Brasil.
Ainda sem previsão pra terminar, mas prometemos um documentário bem legal.

Perguntas rápidas:

Crack: Uma questão social
Enem: Ainda necessário
Rodizio de Carne: No more
Dilma: 1970
Europa: Experiência incrível
Ian MacKaye ou Ray Cappo? Ian MacKaye

LINKS RELACIONADOS:

MYSPACE: http://www.myspace.com/positivexyouth
DISCOGRAFIA: http://positivexyouth.bandcamp.com