Entrevista com a banda Somaa.


Somaa, banda formada em Joinville/SC, fortalecendo o cenário do rock com muita arte, humor ácido e criatividade. Confira a entrevista realizada por Tony Aiex.

– Quando e onde surgiu a ideia de formar o Somaa?

Rafael Zimath: O Somaa foi formado em Joinville/SC nos últimos meses de 2011. A banda que eu tocava na época, o Alva estava dando um tempo, Ned (baixista do Somaa) também estava sem tocar e a mesma coisa acontecia com o Tiago (baterista) em seus projetos. Já tínhamos conversado outras vezes em montar uma banda nova, que fosse realmente focada em produzir, gravar, fazer shows, etc. E em 2011 houve essa oportunidade.
Concluímos que a música era a nossa droga, a nossa “soma” (a pílula fictícia de “Admirável Mundo Novo” que trazia a sensação de segurança e felicidade). Aí colocamos mais um “a” pra soar pós-moderno e virou Somaa. rs

– Os integrantes da banda já têm na bagagem participações, shows e discos lançados por outras bandas importantes do cenário catarinense. Conte-nos um pouco sobre o passado de vocês.

Rafael Zimath: Eu comecei a tocar aos 13 e nunca parei desde então. Já toquei em várias bandas sendo que a mais durou e obteve mais reconhecimento foi o Butt Spencer. De lá para cá, já gravei vários discos de bandas e projetos que participei, fiz trilhas para cinema independente, produzi shows e Festivais locais, etc. Santa Catarina fica fora do eixo Rio/São Paulo, mas tem uma cena forte, de altos e baixos é verdade, mas que tem e já teve grandes bandas e espaços de shows lendários como o Curupira Rock Clube, por exemplo.

Tiago Pereira: Eu comecei a tocar em banda aos doze anos. Integrei o Morgana em Lágrimas, que fez muitos shows na cidade e região. Depois entrei no Canela Brasil e gravei dois discos no período de 2004 a 2011.

– Ouvindo o mais recente EP da banda, “Colisões & Outras Histórias Ordinárias”, é possível sentir uma série de influências que vão de bandas como Foo Fighters até nomes do grunge e trios do punk rock como o Jawbreaker. Do que se alimenta o Somaa?

Rafael Zimath: A nossa escola é o rock alternativo dos anos 90 que foi quando começamos a tocar em nossas primeiras bandas. Então, há certos elementos desta sonoridade que você encontra no Somaa e em algumas bandas desta época também. Mas a nossa música está aberta para uma série de outras coisas. Comecei no punk rock, o Ned veio do metal/progressivo, Tiago gosta de música brasileira, rock em geral. É estimulante ter a noção de que podemos fazer muitas coisas diferentes e ainda assim soarmos como o Somaa.

– As letras das músicas da banda são bastante introspectivas e, em muitos dos casos, soturnas. Em que se inspira Rafael Zimath, compositor principal do grupo, para suas letras?

Rafael Zimath: As letras me vêm desse jeito aí, nestes tons meio cinza. A minha visão do mundo e da vida é meio irônica, acho. Mas, nosso Ep “Colisões & Outras Histórias Ordinárias” tem músicas que fogem disso. “Filosofia de para-choque de caminhão” é uma zoação com a recente onda do politicamente correto que assola a nossa cultura. A tenho como uma música bem humorada, ainda que este humor seja ácido (talvez eu tenha ouvido muito Dead Kennedys ou Minutemen na vida). E “Colisão” também é uma música extremamente positiva, que fala de viver, de libertação pessoal, de se jogar, se confrontar. Enfim, nem tudo é cinza.

– A belíssima arte do disco também mostra que a banda teve um cuidado especial em retratar as histórias contadas em letra e canção através de uma experiência visual. Quem fez a arte? A ideia sempre foi criar um pacote que traduzisse as músicas na capa?

Rafael Zimath: Embora a gente saiba há um purismo demodê neste quesito, nos preocupamos com o material físico que envolve a música. A internet está aí e seria ingenuidade lutar contra. Mas, para nós, sentar para apreciar um disco com o encarte em mãos ainda é uma experiência muito diferente do que simplesmente deixar o Itunes no random enquanto se navega na web. Então, na hora de fazermos o nosso primeiro Ep físico quisemos fazer o melhor possível. O Diego Oliveira é um grande desenhista e houve uma identificação mútua instantânea entre a gente e a banda. Enviamos as músicas e letras e ele criou os “roteiros” das histórias.

– Ao final de “Três”, há um trecho do filme “O Bandido da Luz Vermelha”, que confirma ainda mais o clima sombrio do álbum e incorpora mais uma arte ao trabalho, o cinema. Como surgiu essa ideia?

Rafael Zimath: A gente tem influência de muitas coisas além da música, e o cinema é uma delas. Além de ser uma obra clássica, este filme conta a história do João Acácio, famoso assaltante de residências de São Paulo. E o sujeito era joinvilense, sacou?

– Falando em cinema, “Três” também ganhou um videoclipe. Como foi a gravação desse trabalho?

Tiago Pereira: Gravar um clipe é um trabalho tão extenuante quanto gratificante. Foram muitas horas repetindo a performance para os câmeras captarem vários ângulos da gente. Toquei até os braços doerem e ao final, vendo o resultado, vi que o esforço valeu muito a pena.

Rafael Zimath: Foi demais, embora trabalhoso como o Tiago já disse. O diretor Rodrigo (Rodrigo Falk Brum) é meu amigo de longa data e já fizemos muitos projetos juntos, inclusive na música com o Butt Spencer (Rodrigo era o vocalista da banda).

– Temos visto boas bandas de Santa Catarina lançando ótimos EPs, como o Não Contém Glúten, Califaliza, Parachamas, e, é claro, vocês. Como é a cena do estado? Vocês têm feito shows pelas diferentes regiões daí?

Rafael Zimath: A cena tem melhorado bastante. Uma das coisas bacanas do Estado e inclusive Joinville é a imensa diversidade de bandas. Temos a loucura jazz instrumental d´Os Skrotes, o grunge garageiro do Sylverdale, o surf music do Strato Feelings, o pós-rock do Clube Las Vegas, além de Fevereiro da Silva, Cassim & Barbária, Lenzi Brothers,etc. Muitos shows rolando e o circuito cada vez mais se profissionalizando.

– O que o futuro reserva para o Somaa? Vem full-length por aí? Mais clipes?

Rafael Zimath: Apesar de sermos uma banda nova, trabalhamos muito. Neste exato momento, estamos em estúdio para gravar mais 04 músicas novas. Além disso, temos inúmeras músicas novas e muitas, muitas ideias e projetos. Mas uma meta da banda é gravar um álbum em 2014. Até lá, temos certo também de que lançaremos mais videoclipes (dois neste ano) e fazer show, tocar e tocar.

– Vocês têm mais discos que amigos?

Tiago Pereira: Na verdade não tenho muitos discos, digo, o material físico. No meu caso, a era digital garante a supremacia das amizades sobre a quantidades de discos que eu guardo na prateleira.

Rafael Zimath: Na verdade, particularmente tenho sorte de ter muitos amigos e também discos. Mas, para ser honesto, os discos por enquanto superam os amigos. Mas, pô, fiz muitos amigos por conta de discos, da música. Aliás, quem quiser é só dar um pulo lá em casa pra gente ouvir um som e trocar uma ideia.

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